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terça-feira, 2 de janeiro de 2018

POR QUE NÃO HÁ OPOSIÇÃO NA POLÍTICA DE POÇO REDONDO


*Rangel Alves da Costa


A existência de partidos de oposição faz parte da democracia política. O governo situa-se como situação, enquanto os adversários caracterizam-se como opositores. É no embate do pleito, quando um grupo saiu vitorioso perante outro ou outros, que se passa a ter os lados confrontantes de situação e oposição. E uma oposição feita a partir de um poder político perdido ou em busca de ser adquirido.
Em Poço Redondo, município sertanejo nas lonjuras de Sergipe, a oposição à gestão atual deveria ser feita pela anterior situação derrotada nas urnas. O que era situação teria que agora se tornar oposição objetivando retomar o poder. Porém isto não acontecendo pelo fato da desorganização partidária e de grupo após o pleito e a falta de nomes que possam sustentar uma futura candidatura e, quem sabe, a retomada do poder.
O que se tem hoje como oposição não passa de grupos distanciados do poder e sem nenhuma força de arregimentação. É uma oposição inerte, sem perspectiva alguma de soerguimento. E assim ocorre pela dispersão das antigas lideranças e pela fragilidade daqueles que se achavam líderes. E hoje não são nada.
Não tenho a menor dúvida do que afirmo: não há oposição na política de Poço Redondo. E explico. Ora, na política, oposição é a situação de um ou mais grupos em situação oposta e confrontando a gestão que está no poder, de forma organizada e combativa. Por outras palavras, oposição é estar, de modo visível e aberto, frente a frente do poder, como se no olho a olho mostrasse sua capacidade de estar ali e fazer melhor.
Existe uma oposição em Poço Redondo, de modo organizado, forte, coerente e combativo? Lógico que não. Nem grupos políticos de oposição são avistados em Poço Redondo. Só há um grupo político, o do poder, e pronto. Imaginava-se que as demais lideranças políticas - acaso ainda existentes - pudessem novamente se reunir não só objetivando eleições futuras como para exercer ferrenha oposição. Não um arremedo de oposição que apenas sirva para dizer que tudo está errado, que a gestão não presta, que nada faz e assim por diante, mas como uma atuação responsável e coerente até na crítica.
Mas hoje, a não ser a liderança do prefeito, qual outra liderança existe em Poço Redondo? E liderança não nasce da noite para o dia, força para política não é gestada de uma hora pra outra. Tudo deve ser trabalho em longo prazo. O que se tem, na verdade, são pessoas desgarradas de antigos grupos políticos, sem norte algum e sem qualquer força para formar um grupo político e formalizar uma verdadeira oposição.
Exemplo disso seria a incapacidade de, ao menos agora, ter um nome forte como candidato para confrontar o grupo de poder atual Quem, se não existem forças organizadas, se não existem lideranças fortes, se existem apenas um e outro que alardeiam o inexistente? Afirmo, por último, que não se tem como oposição o descontentamento, o xingamento, a discórdia de momento, o ciúme por não ter conseguido um lugar ao sol na gestão.
Só haverá oposição no dia que os inconformados reconhecerem suas fragilidades e procurarem, enfim, organizar as forças ainda existentes e começar do zero, pois o “dez” navega tranquilamente, em céu azul, e até agora sem qualquer ameaça.


Escritor
blograngel-sertao.blogspot.com

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