SAIA DO SOL E DA CHUVA, ENTRE...

A morada é simples, é sertaneja, mas tem alimento para o espírito, amizade e afeto.



sábado, 11 de junho de 2016

O AMOR É TUDO


*Rangel Alves da Costa


Amor, amor, amor. Uma palavra demasiadamente conhecida e pronunciada ou a essência da vida em seu nome? Amor, amor, amor. Um sentido de afeto, de fraternidade, de união, de enlace, de comunhão, de compartilhamento, ou a expressão real de tudo isso quando gestado no ser de forma verdadeira?
O amor é tudo. Ninguém vive sem amor, ninguém existe sem amar, ninguém pode fugir do seu abraço e do seu afago. O amor humano, entre pessoas, mas também o amor perante outros seres. Zezé amava seu pé de laranja lima, a bela Remédios amava as borboletas que entrava sobre sua janela e ficavam esvoaçando sobre sua cabeça.
Diz o poeta que João amava Teresa, que amava Raimundo, que amava Maria... Já outro poeta diz que o amor é fogo que arde sem se ver, é ferida que dói e não se sente, é um contentamento descontente, é dor que desatina sem doer. Como arremate, ainda outro diz que quero vivê-lo em cada vão momento, e em seu louvor hei de espalhar meu canto, e rir meu riso e derramar meu pranto, ao seu pesar ou seu contentamento.
Drummond, Camões, Vinícius, três poetas, três feições de amor em versos. Mas também o amor nas cartinhas com letras trêmulas, nos bilhetinhos rimando amor com dor, nos beijos lançados à ventania, nos corações desenhados nos troncos dos arvoredos. Ai aquele amor parecendo impossível, e por isso mesmo mais amado, mais querido, mais desejado. E também aquele amor tão insistente em amar que nem a distância diminui a certeza no coração.
Amar os pais, amar os irmãos, amar a família. Amar o próximo, amar até o desconhecido, pois tudo amor sempre retribuído com mais amor. Amar o pobre, o desvalido, o excluído, aquele que nem todos recordam da existência. A este humilde um amor redobrado, pois um afeto tamanho que depois de usufruído possa ser recompensado. E não há retribuição maior do que saber que o outro valoriza o sentir-se amado.
Não há coração que desconheça a força do amor, que não tenha necessidade de amar e ser amado. O silencioso intimamente implora, grita, pede. O entristecido busca encontrar a alegria no seu encontro. Não há olhar que não se encante com as singelas belezas da vida, com uma flor, um alvorecer, um pôr do sol, e em tudo uma demonstração dessa força atraente que somente o amor possui.
Por que o garoto pula o muro para roubar a flor, pula o quintal para afanar goiaba madura, atira bilhetinhos pela janela, escreve nomes ao vento? Por amor. Por que o olhar não se cansa de olhar os velhos retratos na parede, com aquelas feições que também são as suas? Por amor. Por que a lágrima no adeus, na despedida, no luto e por toda a vida, depois da partida de uma pessoa? Por amor.
Tudo por amor porque o amor é tudo. Ama-se a Deus pela fé, pela obediência, pelo que serve de alimento no templo erguido no coração. Ama-se outra pessoa pela confiança, pela necessidade de compartilhamento das coisas boas da vida. Ama-se o filho, o neto, o bisneto e toda a geração familiar, porque o amor é raiz que necessita ser fortalecida com a mesma seiva do primeiro pai ao último filho.
A expressão máxima do amor está no primeiro livro de Coríntios, capítulo 13: Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse amor, seria como o metal que soa ou como o sino que tine. E ainda que tivesse o dom de profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda a fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse amor, nada seria. E ainda que distribuísse toda a minha fortuna para sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, e não tivesse amor, nada disso me aproveitaria. O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não trata com leviandade, não se ensoberbece. Não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal; Não folga com a injustiça, mas folga com a verdade; Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta...
Eu amo. Amo a mim e amo a você. Não viveria sem amar o mundo, a vida, o meu sertão, os meus conterrâneos. Não sei o tamanho do amor. Só sei que é imenso.


Escritor
blograngel-sertao.blogspot.com

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