SAIA DO SOL E DA CHUVA, ENTRE...

A morada é simples, é sertaneja, mas tem alimento para o espírito, amizade e afeto.



sexta-feira, 5 de outubro de 2012

PALAVRAS SILENCIOSAS - 34


Rangel Alves da Costa*


“Ouço a chuva. Parece mais forte...”.
“Chuva de primavera...”.
“E chuva que seria do inverno...”.
“Não se tem mais estação definida”.
“Ao agredir a natureza, o homem também interfere no clima...”.
“Daí o aumento incessante do calor...”.
“Das enxurradas...”.
“Também das secas...”.
“Das enchentes incontroláveis...”.
“Do avanço das marés...”.
“Da degradação ambiental...”.
“E tudo silenciosamente...”.
“A natureza age sem gritos...”.
“Mas com vingança certeira...”.
“É apenas uma reação às agressões sofridas...”.
“O homem reclama sem admitir que ele mesmo dá causa às drásticas transformações...”.
“O homem nunca vai admitir erro algum...”.
“É de sua natureza fazer e fingir que não fez...”.
“É de sua natureza omitir, negligenciar, agir culposamente. E quase sempre...”.
“Que índole perversa...”.
“É o princípio do avesso...”.
“Explique melhor...”.
“O homem nunca faz aquele que diz sem também ter feito o seu contrário”.
“Diz uma coisa, mas faz também o contrário...”.
“Ora, quem age com responsabilidade não precisa colocar refletores sobre seus atos”.
“Entendi...”.
“É como se fosse uma meia-culpa...”.
“Apenas justificando...”.
“Com o sentimento doído pela verdade...”.
“Nem sempre. A maioria não tem suficiência de sentimentos para se redimir...”.
“Aí a situação complica mais ainda...”.
“Ao não admitir erros, o homem sempre se achará invulnerável...”.
“E essa errônea ideia de infalibilidade é danosa não somente para ele como para tudo que o rodeia...”.
“Pois age sem limite e na certeza que aquilo que faz está sempre certo...”.
“É um egocentrismo maníaco...”.
“Uma vaidade destrutiva...”.
“Um orgulho devastador...”.
“Uma soberba com graves consequências...”.
“Um viver perigosamente...”.
“Principalmente para os outros...”.
“Será que nunca enxerga nem a ação danosa nem sua consequência?”.
“Os olhos dessa gente não brilham diante do belo, como não brilham diante de outra coisa que não seja a ganância, a usurpação, o senso de acumulação...”.
“O apenas ter e querer sempre mais...”.
“E sempre se esquecendo de outro princípio: o da preservação”.
“Mas não apenas da natureza, do meio ambiente...”.
“Logicamente que não. A essência deste princípio é o da preservação do próprio homem...”.
“E não apenas como espécie...”.
“A preservação do homem perante si mesmo enquanto indivíduo...”.
“Daí a preservação do caráter, da responsabilidade...”.
“Da moral, da conduta, da ética...”.
“Dos relacionamentos, do companheirismo, do senso humanista...”.
“Do zelo próprio, do seu nome...”.
“De sua moral...”.
“Sendo observados tais aspectos, o homem poderá ser preservado...”.
“E preservando-se assim, tenderá a se preocupar com outras formas de preservação...”.
“A natureza, a vida...”.
“Da mais alta criação ao mais simples que houver...”.

  
Poeta e cronista
e-mail: rac3478@hotmail.com
blograngel-sertao.blogspot.com

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